Segunda-feira, Outubro 27, 2008

 

Acesso às minhas publicações

Da hermenêutica de Heidegger à valorização do humano: um diálogo entre Filosofia e Direito Privado. Entrevista ao IHU-Online.

Artigo públicado na revista da Universidade Gama Filho -RJ

Repersonalização do Direito Privado e Fenomenologia Hermenêutica. Publicado na íntegra no CADERNOS IHU.

Blog do IHU


A pessoa no direito privado brasileiro: repensando conceitos a partir do pensamento de Heidegger. Vídeo da palestra.

Artigo da revista Direitos Fundamentais & Justiça




 
"Mesmo o amor indo além das fronteiras do desejo, é o desejo que abre as portas para o amor, reiterando a importância do corpo". (GRISON, Leonardo. Repersonalização do Direito Privado e Fenomenologia Hermenêutica. in Cadernos IHU. São Leopoldo: UNISINOS. P. 13)

Terça-feira, Julho 01, 2008

 

O invisível é essencial aos olhos.



Me surpreende como ainda hoje se leva a sério aquela frase meiga, porém fantasiosa, do Pequeno Príncipe que diz que o “essencial é invisível aos olhos”. De fato, a idéia não é novidade, tampouco é inédita. O dualismo essência/aparência é dos mais antigos na história do pensamento. Platão, mais de 300 anos antes de Cristo, já nos remetia para um “mundo das idéias” onde residiria essa tal “essência”. E praticamente durante toda a história do ocidente se levou a sério isso. Se criou inclusive uma espécie de desprezo ao real, já que como no pensamento de Platão, tudo de ruim está na realidade. Se a realidade é ruim é porque ela não corresponde ao mundo das idéias. Se o real não está bom, é porque não foi feito conforme o essencial. Assim se criou o dualismo corpo/alma. À alma tudo de mais perfeito, ao corpo as imperfeições.

A idéia foi incorporada pela Igreja Católica. Nada de novidade. O essencial agora virava o divino. Com o Iluminismo apenas se trocou uma coisa pela outra. Agora a razão era o único meio de se chegar ao essencial. Ainda com a dicotomia corpo-alma, essência-aparencia. Em Descartes, por exemplo, através de um método pode se chegar a compreender perfeitamente a essência das coisas. De novo, como se as coisas tivessem uma essência, uma verdade por trás delas, e que a aparência fosse um dado dispensável.

Penso que acrescenta mais pensar que “o invisível é essencial aos olhos”, como nomeei esse texto. Também penso que a crítica da fenomenologia, no terreno da filosofia, há muito acabou com esse debate acerca da essência das coisas. Não existe uma essência, não existe uma verdade absoluta que esteja posta. Tão pouco se existir vai poder ser apreendido pelo ser humano. O que existe é um humano, que antes de mais nada é um interprete, que compreende e interpreta tudo ao seu redor.

Não existe uma mera aparência a ser dispensada, existe aquilo que vemos e compreendemos, que permite que juntos possamos construir o sentido. As coisas são o que são. Mas ainda assim ficou para trás um pequeno detalhe: O invisível e a diferença.

Uma coisa só é o que é porque não é aquilo que também poderia ser. O sentido se constrói na diferença, e só compreendo uma coisa em contraposição com tudo aquilo que ela NÃO é. Por isso Heidegger diz que o Ser só tem sentido em contraposição com o nada. Simplificando: só compreendo que uma pessoa é alta porque há pessoas que são baixas. O vermelho só existe porque existe também o azul. E quando percebo que uma cor é vermelha, percebo que assim o é porque não é nenhuma das outras cores existentes.

Testes já comprovaram cientificamente a existência dos chamados pontos-cego em nossa visão. São regiões onde não enxergamos. São o nada. Paradoxalmente, esses testes demonstraram que é justamente a existência desses pontos que nos permitem enxergar. Isso acontece porque só compreendemos o que enxergamos porque há algo que não é enxergado. Isso acontece porque o invisível é essencial aos olhos. O invisível torna o visível possível.

Interessante seria lançar uma reflexão sobre essa nossa sociedade de tantas diferenças. Mais fácil fica de perceber que só há mais riqueza porque há mais pobreza. Só existe tanta fartura em nossas mesas porque há tantos milhares que passam fome. A conscientização disso levaria a uma verdadeira ética do reconhecimento. Antes que ver na diferença tudo de ruim, deveríamos pensar na importância delas para nossa construção cultural.

Por aí passa o debate pela inclusão das minorias. São raças, etnias, culturas, povos, que vivem às margens da sociedade, mas que muito têm a acrescentar. Mas há outras diferenças que nos custam caro. Não por acaso muitos quiseram acabar com a riqueza. Outros tantos sonham com o fim da fartura, pois talvez assim não exista mais fome, e não exista mais pobreza.

Existem muitos “invisíveis” na sociedade contemporânea. Eles não são visíveis para o governo, eles não são visíveis para as elites, e eles não são visíveis para a classe média. Vivem num mundo invisível, que muitas vezes são chamados de “favela”. Mas causam descontentamento quando saem de sua invisibilidade para bater a nossa porta, para nos parar num sinal, ou simplesmente desfigurar a paisagem que gostamos. Como diz a letra de Max Gonzaga, “Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta, porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida”.

Lembro-me do filme Ônibus 174, que relatava a tragédia ocorrida com o ônibus de mesmo nome. Na ocasião uma mulher foi morta em uma ação mal sucedida do BOPE ao tentar repreender o seqüestro empreendido por Sandro. A tragédia e as diversas horas de tensão foram amplamente televisionadas. Mas em particular o que mais chama atenção é a frase na capa do filme: “Sandro era invisível à sociedade, até que entrou no ônibus 174”.

Se alguma coisa é visível e notável, assim o é porque algo é invisível. Mas um dia poderá deixar de ser. Assim é a vida, onde, como no rio de Heráclito, tudo muda o tempo todo e nada permanece. E sempre há a diferença, porque o invisível é essencial aos olhos.

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Segunda-feira, Junho 16, 2008

 

Mundo Nenhum

 

Algum de vocês, assim como eu, já se sentiu como se não pertencesse a mundo nenhum? A vida é assim, vamos conhecendo pessoas, ampliando amizades e convivência, e cada uma dessas pessoas é um mundo diferente. Mas chega uma hora que é preciso amarrar e fechar tudo isso, numa coisa só nossa, que é o nosso mundo. Muitas vezes isso parece impossível. A essa sociedade que faz com que as relações sejam cada vez mais próximas, ao mesmo tempo em que distantes, chamaram de globalizada. Mas se tudo é o mundo, e não há nada fora dele, então não há mundo, porque não há a diferença. Quando se é um pouco de tudo se é ao mesmo tempo nada. Esse é o problema em ser eclético, ao final das contas. Nada se agarra ao tentar se abraçar o mundo. Parece que esse é o sentimento comum aos dias de hoje, estar em todos os lugares ao mesmo tempo que não se está em nenhum. E não dá nem para chamar isso de angústia, já que a angustia é uma inquietude que sempre faz despertar para o novo. É a busca pelo sentido do ser. Infelizmente nesse mundo contemporâneo todas as respostas já estão dadas e não há razão para procurar o sentido do ser. O problema é que quando todas as respostas estão já dadas é porque nenhuma resposta ainda foi dada.


Quarta-feira, Junho 27, 2007

 

Os cinco Bispos e a leitura das Sagradas Escrituras

Naquele dia reuniam se na sacristia cinco bispos e um padre. Lutava o padre por uma renovação na Igreja. Há anos este jovem sacerdote havia se empenhado nessa luta. Durante anos de tradição a bíblia não mais representava os anseios de Jesus Cristo, nosso senhor, nem mesmo a vontade de Deus. Os dogmas acabaram por objetificar uma visão das coisas contrária à verdadeira vontade de Deus. Ao mesmo tempo o padre queria ver mais seriedade de seus colegas. Não podia suportar os sermões em que o padre diz qualquer coisa sobre qualquer coisa. A bíblia havia sido esquecida. Os bispos discordaram profundamente. Apenas o mais velho dos bispos mantinha-se ao lado do jovem sacerdote.

Os outros invocaram a bíblia e mostraram que não existia qualquer indicio de que deveria se manter essa visão de mundo. Jesus falava de amor. Queria mais fraternidade entre as pessoas. Por óbvio que nesse contexto uma interpretação da Bíblia que excluísse as pessoas não poderia ser válida. Mas eles se apegaram ao texto da Bíblia. Era inadmissível que os padres saíssem por aí a dizer o que significava a Bíblia. Os padres não tinham esse poder.

- Quanto mais eu conheço os padres, mais eu me apego aos ensinamentos do nosso senhor Jesus Cristo - disse o Bispo mais velho.

A desconfiança sobre os padres era grande. Para ele era uma questão de dar poder ou aos padres, ou à Cristo. Ele preferia a Cristo. Se não estivessem contentes com a bíblia que chamassem o messias de volta para dizer o que eles queriam. Jamais colocar palavras na boca do Salvador. Os bispos sentavam todos juntos à mesa, enfileirados. Em cima da mesa um copo de vinho para cada um. O primeiro a discutir a questão foi o da direita. Reservaram-lhe este espaço por ser visitante, ele vinha de outra diocese.

O do meio apenas coordenou os trabalhos, abstendo-se de se manifestar. O bispo vinha de fora, com muitas visões inovadoras. Falava de uma nova igreja. Sua leitura da Bíblia era diferenciada. Reconhecia muitas partes inadequadas na Bíblia, principalmente no antigo testamento. Porém também via muita coisa boa no livro sagrado. Apegava-se particularmente nas palavras do messias. Aquele messias que falava de amor. Não aquele Deus temeroso do antigo testamento. Se Cristo disse que devíamos amar ao próximo, tendo incondicional respeito no outro, por sermos todos filhos de Deus, então não havia porque ter discriminação entre os irmãos. O jovem padre estava equivocado. Seu discurso era muito belo, mas havia um ponto de contradição.

Entretanto, o jovem sacerdote mantinha-se firme no seu discurso, defendia-se apenas lendo a Bíblia, e dizendo que não estava inventando nada. Os outros padres é que o faziam.

O segundo Bispo a falar também era de fora. Os cabelos grisalhos evidenciavam experiência. A fala calma mostrava serenidade. Apesar da aparência conservadora também concordara com o outro Bispo. Eles estavam dispostos a fazerem mudanças. O terceiro Bispo a falar era o mais jovem de todos. Representava a casa, era da diocese onde se realizava a reunião. Como todo jovem tinha espírito revolucionário. Era de se esperar que seguisse o caminho dos outros bispos. E fez mais! Fez o pobre padre escravo de seus próprios argumentos. Não era possível que o padre falasse em fraternidade e aceitasse tamanha discriminação. Mostrou escancaradamente a contradição que se envolvera o sacerdote.

Longos discursos dos três Bispos, sempre com muita coerência. Resolveu então se manifestar o antigo Bispo. Era o mais velho, o mais experiente. Outrora havia sido um revolucionário também. Era ainda muito respeitado na Igreja, ao mesmo tempo em que era odiado por muitos. Como o terceiro Bispo, também representava a diocese. Porém pensava diferente.

- Leiam a Bíblia, caros senhores. Estão a colocar palavras na boca do messias. Acham que tem esse direito? O homem de Nazaré veio para nos salvar, devemos honrar sua mensagem. Devemos respeitá-la, devemos temê-la. Não estamos autorizados a desdizer o que ele disse. A Bíblia esta aí para qualquer um ler.

Ele leu em voz alta o versículo em questão:

- Há alguma dúvida? As santas palavras não são suficientemente claras que os senhores acham que precisam interpretá-las?

E prosseguiu:

- Deus pensou uma família de um homem e uma mulher. Está escrito na bíblia. Não podemos mudar. Esta é a mais pura vontade do nosso senhor Jesus Cristo. Não estou aqui discutindo se é certo ou se é errado. Mas o que é errado é um padre querer dizer o que está escrito na Bíblia. Não pode! Os padres falam em nome de Deus, mas é a Bíblia a palavra de Deus. É preciso mais respeito pelas escrituras sagradas.

Seu discurso era coerente. Mas como aceitar que o mesmo padre que defendeu uma família feita de amor, de afeto, inserida numa comunidade solidária, fosse excomungar aqueles que optaram por uma vida diferente? Era o caso dos casamentos homossexuais. Alguns padres queriam celebrar o casamento. A igreja não permitia. O fundamento só poderia ser as sagradas escrituras. E foi acerca dela que se deu o debate. Entretanto alguém haveria de interpretar elas. Alguns queriam interpretá-la de maneira completa, compreendendo a mensagem de amor, tolerância e fraternidade que ela trazia. Mas este mesmo Deus também pregava medo, temor. Era um Deus que castigava. E castigara aqueles que não obedeciam a sua vontade. Ao constituir a família Deus a fez a partir de Adão e Eva. Um homem e uma mulher. E é assim que deveria ser. Nada deveria mudar.

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Repersonalização do Direito Privado e Fenomenologia Hermenêutica - a superação do paradigma iluminista: Uma breve introdução

O direito contemporâneo vem sofrendo diversas transformações em sua dogmática jurídica. Dentre as mais expressivas, encontramos no ordenamento pátrio, a publicação do código civil de 2002 e a Constituição Federal de 1988. Essas alterações não são meras substituições normativas, mas sim mudanças paradigmáticas em nosso direito. Nesse contexto há profundas alterações hermenêuticas. Dentre as mais expressivas cabe citar aquela que embasa este trabalho: A repersonalização do Direito Privado.

O efeito produzido pela promulgação da Constituição e o Código Civil alterou substancialmente o papel da Pessoa em nosso direito. A começar pela Carta Magna que em seu art. 1º já traz a Dignidade da Pessoa Humana como fundamento do Estado brasileiro. Por sua vez o Código Civil não deu a esperada ênfase na Pessoa, mas não há dúvidas de que, por força da Constituição, há um lugar especial para ela.

Esse lugar é justamente o centro gravitacional do ordenamento jurídico.

É o ordenamento jurídico incorporando a máxima Kantiana de que a pessoa deve ser tida sempre como fim, jamais como um meio.

Porém essa alteração não será implementada da noite para o dia como se uma mera alteração legislativa fosse apta a resolver o problema. Há que se chegar no imaginário dos juristas. Esses é que precisam ter em mente essa máxima ao compreender/interpretar/aplicar o ordenamento jurídico.

Além disso, não é suficiente mencionar a centralidade que adquire a Pessoa Humana, mas sim considerá-la em sua situação existencial, sua historicidade e sua concretude, rejeitando qualquer construção teórica que a coloque em algum lugar abstrato.

Por mais que pareça singelo, o tema requer profundas reflexões. Ao nosso juízo parece prudente começar pela reflexão acerca da Pessoa para que possamos discutir sua dignidade e suas implicações para o Direito.

Partindo-se, por opção metodológica, do conceito que permeia o senso comum parece não haver maiores dúvidas de que Pessoa é o homem.

A próxima questão é “quando inicia uma pessoa e quando ela termina?”.

Nesse ponto o art. 2° do Código Civil é elucidativo ao dizer que a Personalidade Civil da pessoa começa com o nascimento com vida, salvaguardando os direitos to nascituro desde o nascimento. Porém o que verificaremos é que tal determinação não é tão simples. Com os avanços da Ciência surgem cada vez mais questões de implicações éticas e que remetem-nos a questionar a partir de que momento há uma pessoa. A leitura de tal artigo não gera interpretações pacificas.

Para alguns autores a teoria adotada foi a Natalista, já que só considera pessoa quem nasce com vida, apesar das proteções dadas ao nascituro. Já outros entendem ter o código adotado a teoria Conceptualista, que entende haver uma pessoa desde o momento em que temos um embrião. As razões são as mais diversas, desde fundamentações de cunho religioso até fundamentações puramente jurídicas, passando por aquelas de caráter filosófico, moral, pragmático, dentre outros.

Uma leitura que embasou boa parte da discussão até os dias de hoje é a de que pessoa é um ser dotado de razão e consciência, bem como uma moralidade. Tal leitura encontra embasamento nas idéias iluministas que culminaram com a proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.[1]

A partir dessas referencias estabeleceu-se o debate entre os neokantianos e a corrente vitalista. Para os neokantianos, a vida se iniciaria a partir do momento em que seria possível exercerem-se as faculdades morais, sendo que pra a corrente vitalista inicia-se pela concepção. Desde já fica evidente a dificuldade em precisar o que é uma pessoa, seus limites, até mesmo de cunho temporal.

Em função disso é preciso encontrar uma justificativa de caráter racional, já que não há consenso sobre o que é a pessoa humana. O debate ficará “a deus dará” se permanecer em um nível de discussão que não passe da biologia, pois como vimos, a ciência contemporânea encontra dificuldades em precisar os momentos cruciais para o surgimento da pessoa e as suas implicações, razão pela qual faz-se necessário uma investigação sob uma ótica moral.

Pelo mesmo caminho segue o jurista e, orientador deste trabalho, José Carlos Moreira da Silva filho ao dizer que “percebe-se que a palavra pessoa aponta para uma verdadeira construção cultural e que, tal qual ela chegou aos dias presentes, indica muito mais do que apenas um ser biológico”. [2]

Por essas razões expostas é que só um debate transdisciplinar consegue fundamentos razoáveis. Do já mencionado debate entre os neokantianos e vitalistas surgiu uma valorização da espécie humana, com um certo apego à genética. Por mais que falar em um genoma remeta-nos à ciência genética dos tempos de hoje, é com a Igreja Católica que surge as idéias dessa corrente. Aliás, não só essa idéia vêm dessa tradição religiosa. A idéia de que só o homem, e, todo o homem é pessoa também surge com a Igreja.

Para doutrina católica os limites da Pessoa estão associados ao dom divino da razão, sendo que é essa característica que nos diferencia dos animais. Os limites temporais passam a serem estabelecidos pela alma. Passa-se a ser pessoa a partir do momento em que a alma é incorporada ao corpo, sendo que deixamos de ser pessoas quando a alma deixa o corpo, ou seja, com a morte.

Porém isso não pôs fim a discussão, que se demonstrou importante em diversos momentos históricos. Para citar um deles, à época da colonização das Américas questionou-se sobre a natureza dos indígenas, se seriam ou não pessoas. Muitos defenderam que eles não seriam pessoas e, portanto, passíveis de serem escravizados.

Tal diferenciação não era novidade, só com Tomás de Aquino é que se estabelece que todo homem, e só o homem é pessoa. Na Idade Média era normal atribuir personalidade a objetos e animais.

A fundamentação para esse entendimento era que todos eram igualmente criaturas de Deus, tanto os homens quanto os animais, e, porventura, objetos. Porém mais paradigmático que o conceito de pessoa humana adotado pela idade média é o conceito adotado na modernidade. Como sabemos foram profundas as transformações advindas com a Modernidade e o Iluminismo. Ocorreu uma pretensa separação de Deus e dos valores cristãos a fim de colocar o homem no centro do pensamento, passando a adotar-se uma filosofia laica. Dentre esses pensadores, certamente que um dos mais influentes é René Descartes. O autor representa um marco na história do pensamento, e exerceu grande influencia sobre diversos autores que surgiram após ele.

Em Descartes se verifica um processo de interiorização, semelhante a Santo Agostinho e até mesmo Platão, para o qual as fontes morais da pessoa estavam localizadas internamente. O ponto que diferencia Descartes é que, apesar da interiorização advinda de um racionalismo e de um individualismo, o filósofo diz que conhecer é ter uma representação correta da realidade, que é exterior ao individuo.

O que se vê é uma evidente supremacia da razão. Uma razão instrumentalizadora da realidade.

Ocorre que essa é uma razão descolada, como trata Charles Taylor. Na idéia de que conhecer é apreender corretamente a realidade, está implícita a idéia de que a razão não está inserida na realidade circundante. É como se estivesse localizada em algum lugar abstrato, privilégio do observador. O corpo passa a ser meramente o meio que torna possível a razão conceber a realidade. É uma razão descolada de sua realidade e até mesmo de seu corpo.

Esse é basicamente o modelo que norteou o conceito de Pessoa na Modernidade, um ser racional, dotado de uma razão descolada e instrumentalizadora.

O próximo passo essencial para se discutir uma “repersonalização” do Direito Privado é discutir a Dignidade da Pessoa Humana. . Para tal foi escolhido Imannuel Kant, tido como principal representante do Iluminismo. Poucos filósofos exerceram tanta influencia sobre o direito como Kant. Da mesma forma, poucos filósofos trataram com tamanho afinco o tema da Dignidade da Pessoa Humana.

Kant entende que o ser humano chega à maioridade quando consegue fazer uso de seu próprio entendimento. Em contraposição a esse conceito está o conceito de Menoridade, que é quando o ser humano não consegue fazer uso de se próprio entendimento sem se pautar por outro individuo. E é graças ao Iluminismo que o ser humano pode fazer uso de seu próprio entendimento, pois não mais estava submetido a uma ordem cósmica que lhe era superior, ou até mesmo a uma ordem divina das coisas, como ocorria no medievo. Como já referido, a liberdade é essencial para atingir-se a maioridade, razão pela qual o conceito de autonomia toma grande importância na obra do filósofo prussiano. A boa moralidade é aquela que é fundada no dever, mas o dever que cada individuo impõe a si mesmo. O ser racional obedece somente à lei que ele impõe a ele mesmo, pois de outra maneira sua razão não seria considerada um fim em si mesma, e, portanto não teria dignidade.

Kant não impõe valores a serem seguidos, pois dessa forma não teria os outros seres humanos como fim em si mesmos, mas estabelece os passos que uma ética deve seguir.

Para o filósofo, o Imperativo Categórico é único, e descrito da seguinte forma: “Age só segundo a máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal”.[3]

Dessa formulação básica Kant formula mais três proposições do imperativo categórico, concluindo pela importância da autonomia da vontade. “Enquanto legisladora universal, a vontade é autonomia diante da heteronomia da lei, pois torna-se autora”.[4] E aqui surge o elo de ligação entre moralidade e dignidade, qual seja, conceber os sujeitos racionais como um conjunto de fins em si mesmos, e não como meio para outros fins. Isso nada mais é do que a formulação kantiana sobre a Dignidade da Pessoa Humana. Para o filósofo prussiano, é digno tudo aquilo que esta acima de qualquer preço, não podendo ser substituído por nada. Disso conclui que só o ser humano é dotado de dignidade, fato que impõe que se considere o ser humano sempre como um fim em si mesmo, e nunca como um meio. Portanto, a ética kantiana nada mais é do que um modelo a ser seguido ao se verificar se uma ação é correta ou não, universalizando tal conduta, e descobrindo-se a resposta. Trata-se de ter a humanidade sempre como fim. Portanto uma ética individualista, que valoriza a vontade dos indivíduos, colocando-a acima de tudo, desde que uma vontade universalizável.

E apesar de tratar-se de um filósofo, faz-se desnecessário relembrar o período histórico em que para nosso direito privado mais interessava a autonomia privada do que a lei estatal. Forte foi a influencia de Kant sobre a ideologia liberal. O pressuposto de que havia dois sujeitos racionais estabelecendo um contrato, por exemplo, fazia com que, para que respeitada sua dignidade, a vontade acordada entre as partes se sobrepusesse a qualquer outra lei que não a formulada por eles.

Entretanto, em determinado momento da história do Direito Privado, se perdeu o elo que ligava-nos à pessoa, e a mantinha em caráter central.

Não seria verdade se afirmássemos que é com o liberalismo que ocorreu tal fato.

Isso porque a ideologia liberal e a classe social que a sustentava, inspiraram sistemas de codificações totalmente diversos. Além do sistema Commom Law, que se desenvolveu em países anglo-saxões e perdurou em tempos de liberalismo, houve as codificações ocidentais de inspiração jusnaturalista-racionalista como a do pós-revolução francesa, e a pandectística alemã.

O sistema adotado pelos franceses, no código de Napoleão, por exemplo, tem um caráter claramente antropocêntrico. Um código que partia do homem e seus direitos, em direção à como se daria a realização dos direitos. Código que trazia em seu primeiro livro já “as pessoas” tratando da propriedade somente nos livros 2 e 3. Era um código de inegável inspiração jusnaturalista-racionalista. Entretanto, ao contrário do que se propõe expor ao final deste trabalho, esse código não considera a pessoa concretamente situada, inserida em uma pré-compreensão que lhe é anterior.

A ideologia presente nessa codificação não pretendeu ignorar a pessoa, muito pelo contrário, procurou exaltar da maneira que pode. Ocorre que em um momento histórico sob forte influencia do liberalismo econômico ser pessoa é ser proprietário. Não havia preocupação para além da esfera econômica dos indivíduos. Nas palavras de Teresa Negreiros “O Código Civil é a autobiografia do indivíduo burguês”.[5]

A contrario sensu da postura humanizante da tradição francesa surgiu a pandectística alemã do Séc. XIX, com seus principais representantes sendo Savigny Puchta e Windscheid. No âmago dessa escola, um espírito científico que pretendia afastar qualquer ideologia. Por trás dela, a filosofia de Kant dava grande suporte.

O processo de análise do Direito passou a se assemelhar às ciências da dedução, como no caso de Puchta e a “Genealogia dos conceitos” ou se assemelhava às ciências da indução, como no caso de Ihering com seu método científico-natural.

Os pandectístas partiram de um sistema historicamente concluído para estabelecer seu plano de trabalho. Observando o direito comum romano passaram a extrair princípios fixos e conceitos. A partir desses conceitos desenvolveram-se as codificações, organizadas de tal forma que um conceito se submetia ao outro. O sistema das pandectas trazia um estilo teórico retraído, estilo manualístico e desprovido de paixão, “como se o Direito não fosse de homens e para homens”.[6] Cabe ressaltar que a escola histórica mais era uma escola “historicística”, já que tratava de um sistema historicamente concluído, mas ignorava o fato de que tal sistema estava inserido em um contexto histórico totalmente diverso.

Tal fato se deve, em parte, pelo amor pelo passado, típico do historicismo. Não crendo em um futuro melhor, os historicistas abraçam-se ao passado. Também desenvolvem igual amor pela tradição, pelas instituições e os costumes existentes na sociedade e solidificados ao longo do tempo.

No seio dessa teoria começa a desaparecer o conceito de pessoa para dar lugar ao conceito de “relação jurídica”. Parte-se do pressuposto que o Direito nasce da vida em relação. Em relação ao jus-naturalismo individualista que antecede a escola histórica, tal conceito representa um avanço, pois reconhece a alteridade intrínseca ao Direito. Entretanto a idéia não prosperou.

E não prosperou justamente pelo sistema “científico”, que carregava-nos a um mundo de abstração.

É sem dúvida com a escola histórica alemã, ou pandectísta, que surge o positivismo jurídico. Ao criticar duramente o jus-naturalismo criou-se as bases, como já demonstradas, para o jus-positivismo.

Em movimento contrário à abstração que o positivismo e a pandectística nos conduziu é que surgiu o discurso da Repersonalização do Direito Privado.

Ele surge com as mudanças no constitucionalismo e na própria estrutura do Estado. Das transformações que implementaram o Estado Democrático de Direito, e o constitucionalismo que lhe sustenta é que surge a idéia de que a Pessoa adquire a centralidade do ordenamento jurídico, permeando os demais ramos do direito, como o Direito Privado.

E isto ocorre porque perde o sentido a tradicional separação entre Direito Publico e privado. Tal separação é fruto da separação entre Sociedade e Estado, que por sua vez também é fruto de uma separação entre Publico e Privado. Como bem analisa Hannah Arendt[7], ao observar a sociedade grega, o espaço privado era aquele concernente à família, enquanto que o publico referia-se à polis. No tocante à família, não era por nada que ela se agrupava de tal maneira. Isso ocorria por necessidade, sendo, portanto o espaço privado um espaço referente à necessidade de sobrevivência. O publico, portanto, era o espaço “social”, o espaço da política, da interação social, do discurso. Era o espaço da realização pessoal, restando ao espaço privado ser um fardo na vida do cidadão. Contudo, o espaço privado gozava do status de lugar sagrado, já que ele que possibilitava o espaço publico.

E assim também era respeitada a propriedade privada, já que se um homem não fosse dono de sua casa ele não poderia participar dos negócios do mundo. Desse modo surgia a política, não para proteger a propriedade, ou menos ainda a sociedade, e sim para proteger a liberdade da sociedade, própria do espaço publico, autorizando-se a limitação da autoridade política.

Infelizmente tais conceitos se perderam na modernidade. O que passa a existir é o “social”. A idéia de propriedade passou a ser substituída pela de riqueza, e o Estado veio a garantir, não a propriedade privada como os gregos concebiam, mas sim a acumulação de capital. Aquele espaço sagrado da vida privada perdia seu lugar para dar espaço às necessidades mercadológicas. A esfera privada ascende tomando conta da sociedade e até mesmo invadindo os espaços públicos. Freqüentemente se observa um interesse privatístico por parte da população em assuntos de ordem publica. Tal fato põe em questão até mesmo a tradicional distinção entre Direito Publico e Privado, e vem na contramão de uma pretensa publicização do Direito Privado.

Outro dogma que cai por terra quando se perdem esses pressupostos é a rígida separação entre Estado e Sociedade. Tal separação só tem sentido quando há uma clara separação entre os espaços públicos e privados, sendo o Estado integrante da esfera publica e a Sociedade o lócus da esfera privada. Essa distinção que fazia com que o Estado não interviesse nas relações privadas, para os gregos, por exemplo. Em nossa recente história, essa distinção amparava a tese de que os Direitos Fundamentais seriam exigidos somente do Estado. Segundo esta tese, só o Estado poderia ser agente passivo, não estando permitido aos particulares.

Todavia, transformações ocorreram, inclusive no Estado. E o Estado consagrado na atual ordem constitucional deixa claro que tal posição não é coerente com o projeto democrático nele presente. Nesse escopo, acaba por alterar-se o entendimento acerca da Constituição. A Carta Maior deixa de ser encarada como uma lei, apesar de estruturada de tal maneira, e, juridicamente estando em hierarquia superior às demais leis, para ser compreendida como um pacto político, o pacto político que da origem e sentido ao Estado. Eliminando-se a ficção que separa o Estado da Sociedade, chega-se à conclusão de que a Constituição é necessária à sociedade, pois pauta os valores que serão observados nas relações sociais.

Para usar a expressão gadameriana, a Constituição tem de estar sempre no horizonte hermenêutico do intérprete.

Nesse escopo surge o que se tem denominado Constitucionalização do Direito Privado, ou até mesmo publicização do direito privado, bem como Repersonalização Do Direito Privado. E diz-se repersonalização justamente em função do postulado da Dignidade da Pessoa Humana, que impõe a Pessoa como centro do ordenamento jurídico. Ela é o centro de toda ordem constitucional, razão da existência do Estado, e atendendo à tese da eficácia horizontal dos direitos fundamentais, vem a atingir as relações sociais também.

Mais uma vez fica evidente o necessário caráter transdisciplinar do Direito, que para sua própria compreensão e ideal aplicação precisa de amparo nos demais ramos do saber, como a filosofia, as ciências econômicas, a sociologia, a antropologia, etc.. Nesse aspecto acertou o constituinte ao não encerrar um conceito, e adotar o modelo de cláusulas abertas, como também ocorre com o recente Código Civil. Esta é a nova postura hermenêutica que exige a atual legislação.

Neste trabalho já foi possível explicitar a noção kantiana de Dignidade da Pessoa Humana, que permanece como base para o pensar atual. Parece unânime que não se quer retornar a algo anterior a esta noção. A humanidade é sempre o fim ultimo do Estado.

Entretanto, compreender o significado prático dessa afirmação nem sempre é uma tarefa fácil. Não faltam exemplos da invocação abusiva e meramente retórica do Principio da Dignidade da Pessoa Humana.

Para solucionar tal impasse, propõe-se uma reflexão filosófica, e uma construção teórica que valorize a pessoa em sua existencialidade, sua concretude, sua historicidade, e principalmente, na dimensão pré-compreensiva na qual se encontra. Para tanto, será utilizado o pensamento do filósofo Martin Heidegger, o qual parece tratar a pessoa de maneira mais adequada, como se demonstrará.

Mostra-se necessário também propor uma noção que não tenha caia no individualismo iluminista.

O individualismo insere-se na Modernidade, sob o contexto iluminista, como a maior conquista da humanidade. Agora o homem se via livre das amarras que tinha quando incluído em um modo de produção feudalista. As pessoas não se faziam mais presas a Deus, à igreja, ou a qualquer outra coisa e passavam a “fazer uso do seu próprio entendimento”, na expressão de Kant, símbolo do iluminismo.

Entretanto, se por um lado isso foi uma conquista, por outro trouxe diversos problemas para a sociedade que vivemos.

A liberdade moderna foi uma conquista que se deu pela quebrado da velha moral medieval, na qual as pessoas se sentiam presas a algo maior que elas, uma realidade transcendental que às dava sentido, que vinha desde a antiguidade, quando, para os gregos, por exemplo, se falava em cosmos, na idade média se atribuiu à uma ordem divina, à Deus. Isso acabou por levar a humanidade ao que Charles Taylor denominou de “Desencantamento do Mundo”. E com esse desencantamento migramos a um individualismo que de dádiva veio a ser o que o filósofo canadense denominou por um dos males da modernidade. Este individualismo vazio, que tende a distanciar as pessoas e tornar tudo artificial. As pessoas não têm mais senso de algo maior, de algum ideal pelo qual valeria a pena morrer. Não por acaso que Bauman questiona se “A libertação é uma benção ou uma maldição?”.[8] A lógica do custo benefício, típica da ordem econômica e própria da razão instrumental, passa a ocupar o centro do pensamento humano, transgredindo as barreiras da ordem econômica, atingindo o cotidiano. Agora todas ações humanas passam pelo crivo da análise de custo-benefício. Tudo passa a ser um instrumento da razão humana. A tecnologia passa a ter uma espécie de aura, sendo a grande vedete, pela qual passam todas as soluções. Chega até a áreas do conhecimento como a medicina, e ao invés do médico tratar uma pessoa, que possui uma história de vida, e uma vivencia própria, trata-a como um problema técnico, vendo apenas mãos, braços, pernas, órgãos. A própria denominação de “paciente” evidencia isso. A tecnicidade impôs essa linguagem a outros ramos também, como ,por exemplo, policiais que vêm “elementos”, políticos que vêm “cidadãos”, juizes que vêm “demandantes” e “demandados”, dentre outros exemplos.

Instaura-se um paradigma cientificista, que ignora a subjetividade das pessoas, tornando-as um objeto passível de observação científica.

Ao longo do século XX tais conceitos passaram a ser superados, em função de postulados como a função social da propriedade e do contrato, dentre outros.

Nesse contexto, passa a ficar em evidencia a idéia de solidariedade social, que supõe a relevância da condição social da pessoa, ao contrário da concepção abstrata e formal do sujeito de direito, um típico indivíduo. Resgata-se a idéia da comunidade constituída não só de direitos, mas de deveres também. Acaba por se remodelar a dogmática jurídica contratual, por exemplo, a fim de atender a concepção trazida pela constituição acerca da pessoa humana.

Em suma: transita-se da idéia de um individuo abstrato a uma noção concreta de pessoa.

E neste passo é que necessitamos de um suporte filosófico, para melhor compreender a pessoa. Para tal, foi escolhido o filósofo alemão Martin Heidegger.

Dentre os vários motivos que pautaram esta escolha, mostra-se primeiro o fato de que Heidegger representa um rompimento com o racionalismo.

As codificações modernas, liberais, foram fortemente inspiradas pelo racionalismo kantiano. O pressuposto são indivíduos racionais deliberando racionalmente suas decisões. Heidegger e outros pensadores, com Marx e Freud vão demonstrar o equivoco desse pressuposto. Marx ao mostrar que a razão é submetida às relações materiais, Freud ao submeter ao inconsciente e Heidegger ao mostrar que toda compreensão é fruto de uma pré-compreensão que precede o sujeito pensante. O filósofo alemão mostra como nossa compreensão, e nossa interpretação, se fundam em uma pré-compreensão, que se forma ao longo dos anos através da vivencia, da historicidade de cada um. No começo adquirimos um conhecimento prático das coisas, sem perguntar pelo seu sentido. Este nível Heidegger denominou de nível ontico, contrapondo-se ao ontológico. No nível ontológico é que se questiona pelo sentido do ser, não se apegando somente ao ente. Ao individuo pensante e questionador, que busca pelo sentido do ser, Heidegger denominou dasein, ou em vernáculo, ser-aí.

A fenomenologia Heideggeriana parte da faticidade, ignora as categorias abstratas, traz a realidade de volta à filosofia. A conseqüência para o Direito é a mesma, sendo de grande valia na era dos princípios, que também tem por escopo trazer a realidade à tona, impondo-se uma análise casuística, que verifique e considere as pessoas existencialmente.

Nesse ponto o filósofo relaciona que o homem é desde sempre um ser-no-mundo. Isso porque desde sempre estamos inseridos no mundo, em nossa realidade social, em nosso contexto cultural e geográfico, enfim, todos fatores que influenciam na compreensão.

Tal fato pode parecer uma obviedade, mas se lembrados os níveis de abstração que a metafísica moderna nos remetia entenderemos o sentido de tal afirmação. Heidegger entende que a busca pelo sentido do ser ficou esquecida na metafísica desde Platão, aonde se inaugurou os dualismos que remetiam o sentido do ser a outra realidade transcendental, arrancando-os de sua realidade fática, e do sujeito que os compreende, transportando para o mundo das idéias, para a ordem divina, ou para uma simples separação entre essência e aparência. Tudo dentro de um esquema de observação de sujeito e objeto, em que um sujeito pode observar tranqüilamente, através de sua razão instrumentalizadora, a realidade que o cerca, com perfeição, apreendendo o sentido que aí está. Heidegger desloca o foco dessa discussão para o local aonde se dá a compreensão do sentido do ser, para o único que compreende este sentido: o dasein.

Ora, se só o homem compreende e questiona o sentido das coisas, nele é que deve se dar a sua análise. Partindo do pressuposto que Nietzsche estabeleceu de que “não existem fatos, só interpretações” Heidegger conclui que as coisas não têm um sentido em si, a ser obtido pelo interprete através de um método, por exemplo. A verdade não está posta, o sentido precisa ser construído, portanto a interpretação é sempre um ato produtivo.

Assim é construída a obra Ser e Tempo de Heidegger, entendendo-se que o sentido do ser se dá no tempo, ou seja, é histórico, situado no tempo, na realidade do dasein, em seu contexto. Não é algo atemporal, como se pretendeu outrora, um sentido único, que indepentendemente da situação expressaria-se adequado mediante a correta interpretação.

Traz ao Direito as reflexões sobre a compreensão/interpretação/aplicação da lei, que se dá em simultaneidade, bem como elimina o já defasado debate entre a vontade do legislador e a vontade da lei. Estabelece também que, dentro de um direito privado repersonalizado, os sujeitos que aí estão, sejam eles contratantes, consumidores, ou qualquer outra categoria, não devem ser considerado apenas como uma categoria abstrata, mas sim existencialmente, o que impõe uma análise casuística do direito, amparada pelos princípios do Direito, e pelo que o professor José Carlos Moreira da Silva Filho denominou de pré-compreensão jurídica complexa, que vincula os juristas à tradição, eliminando-se a discricionariedade do Direito.

Pretende-se portanto, explicitar todos estes conceitos, trazendo-os para a reflexão acerca da pessoa e do direito privado, contribuindo para a Repersonalização do Direito Privado.



[1] O documento citado foi aprovado em 26 de agosto de 1789. Suas inspirações políticas foram a Revolução Americana (1776) e a Assembléia Nacional Constituinte francesa. (1789) Inspirou diversas constituições, da França, e de outros países, bem como tratados internacionais. O mais expressivo é a Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovado pela ONU em 1948. A carta dos direitos humanos de 48 mostra a força que adquiriram essas idéias ao longo de nossa história e guarda grande importância com o tema que aqui se esta a desenvolver. Em seu primeiro artigo diz “todos os seres humanos nascem e permanecem livres e iguais em dignidade e em direitos. Eles são dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

[2] SILVA FILHO, José Carlos Moreira da. Pessoa humana e boa fé objetiva nas relações contratuais: a alteridade que emerge da ipseidade. In: Constituição, sistemas sociais e hermenêutica: programa de pós graduação em direito da UNISINOS: mestrado e doutorado. Porto Alegre: Livraria do Advogado; São Leopoldo: UNISINOS, 2006

[3] KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes e outros escritos. São Paulo: Martin Claret, 2003. P. 51

[4] JUNGUES, José Roque. O respeito à dignidade humana como fundamento de todo humanismo. In Teologia e humanismo social cristão: traçando rotas. Nº 1. Unisinos: São Leopoldo. P. 151

[5] NEGREIROS, Teresa. Teoria do contrato- novos paradigmas. Rio de Janeiro: Renovar. 2002 P. 14

[6] CARVALHO, Orlando de. A teoria geral da relação jurídica – seu sentido e limites. 2.ed. Coimbra: Centelha, 1981 P. 43

[7] ARENDT, Annah. A condição humana. 10.ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001

[8] BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004. p. 26

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Terça-feira, Setembro 19, 2006

 

Aceitem os fatos: perdemos a guerra!


Setembro é o mês da revolta contra os feriados. Anteriormente escrevi sobre a fantasia que é o 7 de Setembro. Agora chega o mais fantasioso ainda 20 de Setembro. Alguns que desconhecem esse Brasil pensam que é exclusividade dos gaúchos isso, mas não é! São Paulo também comemora a guerra que perdeu. O feriado de 9 de julho é em comemoração à revolução de 32. Que eles perderam. E a nossa como foi? Parece irônico que comomoramos e andamos uma semana a fio fantasiados de século XVIII. Com trajes típicos da Turquia! (a bombacha veio como sobra de guerra para o RS) Mas de repente não será isso o motivo da comemoração. Será que é porque chamamos de farroupilha? Farroupilha, vem de farrapos, que imediatamente se associa aos pobres. Será que foi mesmo uma revolução popular? Pouca sorte. Acho que esse definitivamente não é um fenômeno nacional, como a fome, a miséria... Então chega 20 de setembro, vestimos roupas estrangeiras, andamos como se estivéssemos no séc. XVIII, e comemoramos uma revolta elitista que ainda por cima perdemos. Uma revolta provocada por picuinhas econômicas e mania de perseguição. Mania que persiste até hoje. Qual é o gaúcho que não acha que é diferente do resto do país? quem não acha que os narradores de futebol odeiam os jogadores gaúchos? O gaúcho tem a mania de ser diferente. E a arrogância de achar que é melhor. Todo gaúcho acha que nascemos para governar o país. E isso remonta lá pra esse feriado que nos chega. A situação chega ao cúmulo de milhares de pessoas, na contramão da globalização, falarem em separatismo! A Europa buscando uma união das várias culturas e nações existentes a fim de se fortalecer e algumas pessoas ainda acham que separar o estado do resto do Brasil iria adiantar alguma coisa. No ritmo que vai, e com os argumentos que existem, vão querer certamente se separar da metade sul depois, considerando as diferenças econômicas. O que vai gerar uma situação curiosa. "Gaúchos" de terno e bombacha, em regiões tipicamente de colonização alemã e italiana. Nada contra o gauchismo, mas tenho a impressão que não passa de uma ficção. Pelo menos na serra gaucha e no vale do sinos. Regiões que deveriam valorizar muito mais a sua história ao invés de importar a história da região campeira. São regiões que foram colonizadas por pessoas que passaram extrema dificuldade, tiveram arduo trabalho, sem escravos, e por isso que hoje são o que são. É uma incongruência se vestir de fazendeiro no 20 de setembro, pois aquela história não tem nada a ver com essa. É uma história feita de ricos fazendeiros que ganharam terras e mais terras sem precisar fazer nada, apenas comandando os seus escravos. Não poderia ser diferente. Já dizia Joaquim Nabucco, aonde há escravidão, não há valor no trabalho, trabalho é coisa de escravo. Talvez isso explique um pouco das diferenças desse Rio Grande que tanto aprecio. Só acho que é um absurdo inventar uma unidade para regiões com contextos históricos tão distintos. Não uso bombacha e nem vou usar. Mas se me chamar pra comer uma polenta com passarinho, ou uma massa, pode ter certeza que vou. Prefiro a minha história do que a dos outros.

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

 

Que independência?


Quinta feira em estado de inércia acordei. Na inércia continuei. Quieto fiquei, enclausurado permaneci. E ao som do rufar dos tambores eu nada fiz. Mas sei que la fora por detrás de uma linha o povo estava. Em inércia também. A mesma inércia de todos os tempos. Assistia um espetáculo que não era seu. Separados por uma linha estavam aqueles que faziam a história, e aqueles que assistiam... E lá estava o povo. E essa história não é de hoje. Na gênese da república começaram os desfiles militares. Os desfiles de 7 de setembro. O 7 de setembro que foi comprado, à contramão do que fizeram nossos vizinhos. Inicio da dívida externa. Inicio da inércia. Instituia-se que todo ano o povo veria o poder desfilar. Nada de novidade na história do país que alijou seu povo. O retrato mais fiel da grande conquista que há anos comemoramos é o quadro "Independência ou morte" de Pedro Américo. Também conhecido como "O grito do Ipiranga". Faço questão que olhem. Um bando de cavalos alvoroçados, um homem a erguer uma espada, e o mais perto de se chamar de "povo" é um carroceiro que passa pelo local com cara de quem não entende o que está acontecendo. E logo também chega o 20 de setembro, e o povo comemora a guerra que perdeu. Desculpem.... "guerra" é muito forte. Foi uma revolta das elites. O povo tava lá representado pelos escravos que sonharam com sua liberdade e foram alvejados quando baixaram suas armas. Nada de novo. Não poderia ser exclusividade dos paulistas comemorar guerra que se perde. Mas a história continua e chega a tal ponto de se criar a "Ilha da Fantasia". Lá tudo é belo. Lá não há violência. Lá não há pobreza. Lá tem forma de avião e lá tem rampa para subir de tanque. Mas lá não tem o povo. Seus governantes mais uma vez o abandonaram. Para longe dos olhos do povo. Eu não consigo sentir prazer nos desfiles de 7 de setembro. Eu não me sinto parte disso. Talvez eu seja essa parcela da população que permaneceu a história toda afastada desse jogo. Essa parcela chamada povo.

Terça-feira, Agosto 08, 2006

 

Progressão de Regime Para Crimes Hediondos

Nos últimos tempos polêmicas tem surgido em torno do entedimento do STF sobre a constitucionalidade dos crimes hediondos. Essas polêmicas surgem por causa da preocupação dos cidadãos com o possível aumento da criminalidade. Porém, dado os argumentos aqui expostos, verificar-se-á que nada mudara no que diz respeito à violência, exceto aquela que se comete com o réu.

Antes de mais nada é preciso criticar a concepção legalista do direito. Esta concepção é baseada num idealismo que tem como base a crença na força da norma. Estas teorias ganham força na modernidade, aonde a norma adquire uma suposta racionalidade, principalmente com a revolução francesa, aonde o judiciário é cerceado em seu poder, limitando-se a cumprir a lei. No caso da criminalidade acaba resultando na crença da racionalidade da lei de crimes hediondos, acreditando ser ela eficiente na redução da violência, podendo desta maneira superar as garantias individuais protegidas no pacto político-federativo, a Constituição Federal de 1988, sendo que jamais se verificou a esperada redução da criminalidade.

Isto tudo relaciona-se com a crença na eficiência do controle estatal, que age através do seu monopólio da violência. Desta maneira procura-se combater a violência com mais violência, exercendo o Estado o seu poder. Esta tese despreza o controle social, que Michel Foucault genialmente trata em “Microfisica do Poder” e “Vigiar e Punir”. O controle social é muito mais eficiente que o controle estatal. O ser humano teme muito mais o olhar de reprovação do outro do que a violência do Estado. O ser humano acorda pensando no outro e vai dormir pensando no outro. Nas palavras do sociólogo italiano Umberto Eco “O ser humano nasce a partir do olhar do outro”.

E além do que já foi exposto há que se tratar desta divisão entre cidadãos e criminosos. Estes dualismos há muito nos acompanham, e verificaram-se com mais intensidade na modernidade com os dualismos kantianos. É como se a realidade em toda sua complexidade pudesse se reduzir a um binômio aonde o que temos ou é A ou é B. Na nossa Constituição o povo manifestou seu desejo na manutenção de garantias fundamentais, e uma separação entre cidadãos e criminosos faz com que estes fiquem separados destas garantias e aqueles protegidos por elas. Por óbvio que isso contraria o princípio da igualdade, sem falar que está baseado em uma ilusão. Ninguém nasce criminoso. O que torna um cidadão criminoso é uma lei que imputou o fato cometido por ele como criminoso. Sem lei não há crime. E esta conduta foi cometida certamente por influencia do meio, pois o ser humano não é dono de si como pensava o pensamento iluminista. Neste sentido já quebraram com o racionalismo renomados autores como Freud, Marx, Heidegger, entre vários outros. Desta maneira temos que pensar que apesar de ser muito doloroso quando é nosso filho que é vitima de um crime hediondo, tão doloroso, ou talvez mais, é quando nosso filho esta no banco dos réus, e pior, quando nesta posição é cerceado de suas garantias constitucionais. Dessa maneira, que direito tem o Estado, como bem salienta Dometilha de Carvalho, que foi ineficiente em sua prestação de serviços básicos como saúde e educação, de exercer o seu direito de punir, já que não cumpriu suas obrigações básicas?

Não se está aqui para defender a impunidade, pois esta realmente constitui um grande problema no controle da violência, porém há que se repensar os pressupostos de que parte a nossa concepção do direito, bem como o imaginário que está inserida a sociedade para compreender estes fenômenos. Infelizmente o que se verifica é que o imaginário da maioria das pessoas é o imaginário dos filmes de faroeste, por isso esperam que o Estado-Xerife-Bom-Mocinho saia à caça, impiedosamente, dos “Bandidos”, esquecendo que a realidade é muito mais complexa, e que a criminalidade não é um problema, mas sim um sintoma, de um problema muito maior, para o qual é necessário políticas sociais efetivas.

 

Filosofia de Garrafão

O que acontece quando um cara quenem eu resolve, num momento de grandes questionamentos, colocar todos os devaneios no papel? É o que segue. Resultado de um momento puramente filosófico. Originalidade eu garanto. Sentido eu não garanto ehehhee. Enfim, era bem o que passava na minha cabeça naquela tarde...




Sou condenado a ser livre. Tenho liberdade. As pessoas tem medo da liberdade. Tenho liberdade para descobrir a verdade. A verdade me deixa feliz. A verdade não existe. Logo a ilusão da verdade que me traz felicidade. O fim só pode ser a felicidade. A verdade é uma invenção humana à qual nos condicionamos. Nossa busca pela felicidade está condicionada à verdade. Será que criamos nossa própria armadilha?
E a felicidade existe ou é mais uma criação humana à qual nos tornamos condicionados?
Ora, então tenho liberdade para criar o que quiser para me tornar feliz, ou qualquer outra coisa que eu queira, mas estarei condicionado à isto. E o que é a ilusão? Ela me traz alegria. A tristeza vem em descobrir que era uma ilusão, pois esperamos que toda ilusão seja verdade. Se perdemos a crença na verdade não sofreremos esta desilusão, mas será que conseguimos fazer isto ou estamos condicionados à esta crença?
“O homem se torna condicionado à tudo que ele cria”.
Mas este é um caminho sem volta?
Se o fosse não existiria liberdade.
E o sexo? Por que nos dá prazer? Isto é natural, ou é fruto da informação que a sociedade nos passou?
Parece-me natural...
Somos condicionados à nossa natureza também, por óbvio. Não posso sair voando. Mas posso criar artificialismos. Sou livre. Acima de tudo somos livres, mas a liberdade é desconfortante. Deixemos então aqueles que não querem ser livres, presos à seus grilhões, pois dali vem a felicidade deles.

Segunda-feira, Julho 24, 2006

 
“É uma prova de... arrogância e vaidade, querer melhorar o mundo cognoscível inventando um mundo supra-sensorial, e querer transformar o homem em um ser nobre que está acima da natureza, acrescentando-lhe uma patê supra-sensorial. Sim, certamente – a insatisfação com o mundo das aparências, mais profundo motivo da concepção supra-sensorial, é ... uma fraqueza moral”. CZOLBE, Heinrich. Neue Darstellung des Sensualismus apud SAFRANSKI, Rüdiger. Heidegger: Um mestre da Alemanha entre o bem e o mal. São Paulo. 2000 Geração Editorial. P.57 Deus está no detalhe.

Terça-feira, Julho 18, 2006

 

Discurso da Repersonalização do Direito Civil Sob o Prisma da Fenomenologia Hermenêutica.

Ver artigo publicado mais acima neste mesmo blog.
http://leogrison.blogspot.com/2007/06/repersonalizao-do-direito-privado-e.html

O texto que segue é o resumo que foi publicado na mostra da UNISINOS.Este também é o resumo do trabalho do Encontro de Jovens Pesquisadores da UCS. Uma versão reduzida também foi na inscrição para o salão da UFRGS. É o resultado das minhas pesquisas.


Após a segunda guerra mundial houve uma crescente preocupação com a pessoa humana e sua dignidade, dando surgimento ao que se denomina discurso da repersonalização, em contraposição ao pensamento liberal. Aqui cabe salientar que não havia uma ausência de preocupação com a pessoa, mas sim uma preocupação característica de outro contexto histórico, influenciada pelas idéias do liberalismo e do iluminismo. Neste período o enfoque se dava num plano abstrato, não sendo a pessoa considerada em sua existencialidade e não havendo intervenção estatal nas relações contratuais. Para isso foram de grande influencia as idéias de Emmanuel Kant. Em determinado momento na história do direito civil, por influencia em grande parte da escola histórica de Friedrich Karl von Savigny, o foco se desprendeu da pessoa, passando a preocupar-se com a relação jurídica e a capacidade civil. Contra esta concepção surge a idéia de repersonalização, que busca considerar a pessoa na sua complexidade e historicidade. De outro lado a repersonalização conecta-se a uma nova concepção de direito constitucional, que se contrapõe à uma rígida bipartição entre direito constitucional e direito civil. Esta preocupação mostra-se evidente na Constituição Federal, que em seu 1º artigo já elege a dignidade humana como valor supremo da república brasileira. Contudo, o que se verificou no Código Civil, por exemplo, foi uma pouca ênfase na dignidade humana. Além disso, as inúmeras referências feitas ao princípio da dignidade da pessoa humana, em grande parte, têm assumido uma forma quase que banalizada e carente de uma formulação teórica mais consistente. Tal cenário é mais preocupante caso tenha-se em mente o processo de precarização e privatização da esfera pública. O presente trabalho, que integra o projeto de pesquisa Relações contratuais: em busca de um modelo jurídico a partir da Ética da Alteridade e da Hermenêutica Filosófica, coordenado pelo professor Dr. José Carlos Moreira da Silva Filho, tem por escopo analisar o discurso, doutrinário e jurisprudencial, que tem sido construído, no âmbito do Direito Civil, acerca da assim denominada “repersonalização do direito privado”, procurando, igualmente, contribuir para a densificação teórica do tema a partir do referencial da fenomenologia hermenêutica de MARTIN HEIDEGGER, para a qual o homem é visto de forma tanto mais adequada e autêntica se considerado concretamente, a partir de sua existência e da dimensão pré-compreensiva na qual se situa.

Terça-feira, Julho 11, 2006

 

Justificativa

Esse blog tem a singela intenção de publicar um pouco do que já escrevi. Por que eu escrevo? Seilá eu... Mas gosto de compartilhar idéias. Nunca fui muito bom em escrever, mas como algumas pessoas têm me dito ao contrário eu começo a me render. Pra começar coloquei alguns textos antigos, só pra não deixar o blog vazio. Vou comentar alguns deles.

Meu Perfil do Orkut.

Há dificuldade maior que falar de si mesmo? Não é a toa que o maior clichê do orkut é "É complicado falar de si mesmo". Outros recorrem ao "Os depoimentos falam por mim". Mas penso que se há um espaço para que eu fale de mim, é porque é para ter a minha visão de si mesmo. Claro que a visão que tenho de mim é sempre com os outros. Mas ainda assim é a minha visão. O lugar daonde se fala não é um dado dispensável. Mas então chega o desafio: como falar de si mesmo, sem recorrer a clichês, sem ser falso, ou sem dizer absolutamente nada? Nenhuma tentativa racional atende a esse desafio. Por isso o caminho da intuição se mostra mais eficiente. Qualquer coisa pensada pecaria por falta de sinceridade. Qualquer racionalidade ficaria no topo do iceberg. A solução foi ser irracional. Escrever sem parar. Tudo o que vinha na cabeça. Se talvez por um lado faltou coerencia, ou uma sequencia lógica, lhes garanto que não faltou sinceridade. Acho que ele mostra bem o que eu sou. Ou pelo menos o que acho que sou...


A História do Wanderlei Cardoso.

Talvez minha primeira pesquisa. Resultado de meu espirito inquietante. Como posso eu entrar no banheiro todas as vezes e não me perguntar o que é WC? Não posso aceitar isso. Fui consultar o mestre de todos: O google! Confesso que deu um trabalhão. Mas enfim cheguei aonde eu achava que iria chegar.

11 de Setembro.

Mais uma grande indignação. Época em que as teorias da conspiração faziam tão sentido como nenhuma outra. Tempos em que pensava como economista. E de fato acho que minha análise ñao foi tão equivocada. No mínimo as coisas estão mal explicadas. Chego a conclusão que tantos outros chegaram, como Carnelutti em "verittá, dubio e certeza", ou minha estimada professora Maria Cristina Cereser Pezzela, que em seu artigo disse tudo já no título: "Verdade: uma busca sem fim".

Manifesto Sobre o Estatuto do Desarmamento

O mais recente dos quatro. Indignação não com a proposta de desarmar. Mas com a incoerencia lógica presente no discurso do desarmamento. Sempre há fissuras nos discursos... seja la qual discurso for.

 

Manifesto sobre o Estatuto do desarmamento.


O Brasil tem mais de 40 mil mortes por ano no transito, será que vão querer proibir o comércio de automóveis também?


E no reino da hipocrisia a solução para os problemas é sempre muito facil. Bem lembrou o colega de blog Augusto Di Marco que como avião mata por atacado, já que um avião só pode matar muito mais pessoas do que qualquer arma a venda por aí, deveriam proibir também então.
A forma de resolver o problema da violencia no Brasil foi de inteligencia impar! Proibir a venda de armas! afinal são elas que matam, e não o dedo que puxa o gatilho. Brilhante, tenho mais sugestões para nossos queridos parlamentares que estão lá na Ilha da Fantasia (Brasilia, que não é ilha só porque não está cercada de água), uma sugestão ótima para acabar com o nepotismo, vamos proibir os politicos de terem familias, simples não? Pois assim tudo se reolve neste país.
E isso não é de hoje, esse idealismo vem desde o começo da nossa republica em 1891 quando resolveram copiar a constituição dos Estados Unidos da América, afinal copiando eles seriamos tão ricos e poderosos quanto eles...E até as constituições de 1967 ainda nos chamavamos Estados Unidos Do Brasil!!
Será que demoraram tanto assim pra se dar conta que não deu certo?
Este referendo já começa mal, pois se ganhar o sim, nada mudara, pois uma arma se quer vai ser tirada das mãos de qualquer criminoso, será apenas proibido o comercio, ou seja, nenhum efeito realmente. Começa mal também porque a pergunta é formulada para induzir a uma resposta. Isso é desmoralizar o povo. Já temos um congresso totalmente desmoralizado e agora o povo vai ficar desmoralizado. Isto é uma vergonha. Qualquer um que não seja um alienado sabe que não haverá mudanças efetivas na criminalidade. Pelo menos não é assim que se resolve um problema tão grave.
Porque ao invés da pergunta "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?" a pergunta não é "O Estado brasileiro pode tirar das pessoas o direito de comprar uma arma de fogo?"??
Seria mais respeitoso com o povo brasileiro não induzilo a uma resposta, tirando toda a essencia do referendo.
E o desarmamento não muda nada pois granadas, fuzis, metralhadoras, e lança foguetes são proibidos desde sempre, e nas favelas do Rio é possivel de se encontrar este tipo de armamento.
Não vou vir aqui fazer aquela hipócrita divisão entre bandidos e cidadãos-de-bem, que na minha opinião não existe, mas ninguem é burro a ponto de pensar que quem pretende matar alguem vai na loja comprar a arma e registrar devidamente ela em seu nome não é? Porque se assim fosse seria muito facil investigar homicidios... muito mais facil do que as armas com numero raspado que tanto se encontra por aí...
Enfim não sei aonde vai parar esta utopia, ninguem até agora me mostrou no que vai resultar esta grande restrição de direitos...Quem tiver bons argumentos que use até mesmo esse espaço.
Não sei se vai ter, pois até agora só vi a globo dizendo que é a favor do referendo e o Djuli que segundo ele vai votar 3, mas como ele mesmo disse "eu vivo num mundo de fantasia".

Originalmente publicado no falecido tauntaun.blig.ig.com.br em 8/10/2005


 

11 de Setembro, suas razões e suas consequências.

Quantos de vocês têm domínio do idioma árabe? Quantos de vocês tem o privilegio de ter em suas casas acesso à programação da al-jazeera? Provavelmente a maioria só tem acesso à programação aberta da televisão brasileira, que quando necessita de informações a nível internacional, recorre às redes americanas CNN, abc, Fox News e a britânica BBC. Então quando se tem a ocorrência de um ataque terrorista como o de 11 de setembro o que se vê é uma das cenas mais horríveis do mundo, com direito a pessoas se atirando de prédios e labaredas gigantescas propagando fumaça por toda Nova Iorque, e tempo depois todos os focos das câmeras apontando para um homem magrelo, barbudo e de fala mansa que diz varias palavras em árabe, e que sou obrigado a confessar que não entendi se quer uma delas, afinal fiquei a mercê da tradução das redes de televisão americanas.

Agora voltemos para os instantes que precediam o ataque terrorista de 11 de setembro: Os EUA estavam com uma economia em crise, que vinha registrando baixos índices de crescimento. O governo anterior, do inteligentíssimo presidente Bill Clinton, havia sido marcado por muita diplomacia, algo que provavelmente não faz o perfil do atual presidente George W. Bush, um texano que tem negócios no ramo do petróleo e afirma sobre si mesmo: “Não sou um homem pensativo, sou um burocrata, um homem que faz as coisas.”

Vamos então a o que aconteceu: Duas torres que faziam parte do grupo World Trade Center, o qual inclusive possue prédios em São Paulo, e parte do pentágono também foi destruído. Imagens extremamente claras, mostraram que dois pilotos da melhor qualidade, numa manobra de extrema dificuldade, já que não se tratava de aviões caça, ou aviões aptos a fazerem acrobacias, e sim de dois aviões enormes, com os tanques cheios para que a explosão fosse garantida, batiam contra as torres gêmeas. Os aviões teriam sido seqüestrados, por árabes... lá de bem longe... aqueles povos do oriente médio. Os árabes teriam seqüestrado quatro aviões comerciais, dentro do solo da maior potencia econômica do mundo. Oh quão astutos são os árabes, afinal eles precisavam dum avião exatamente daquele tamanho, já que quando as torres haviam sido projetadas eles já tinham pensado nisso. Se não bastasse isso, só o tanque cheio do avião faria com que as estruturas internas do prédio derretessem fazendo com que tudo viesse abaixo. A perfeição talvez seja uma qualidade exclusiva dos árabes, afinal quanta informação eles tinham sobre os EUA!

Tudo o que aconteceu em Nova Iorque foi muito claro, mas o outro ataque já não teve a mesma cobertura da imprensa, talvez pelo fato de ninguém ter visto sequer um pedaço de fuselagem ao redor do pentágono, ou talvez pelo fato de que o estrago provocado foi bem menor do que o que um avião faria se caísse no pentágono.

Realmente foi algo assustador que deixou a população americana apavorada. Apavorada mesmo! Eles não podem nem ver os diabólicos árabes.

Corta pra economia: Alguém prestou atenção na cotação do dólar, ou nas bolsas, durante e após o ataque de 11 de setembro?

Então vamos continuar comentando o que aconteceu: Passado o susto, o governo começa a investir muito, e muito mesmo na remoção dos escombros, e mais tarde na reconstrução das torres e do pentágono. Eu particularmente tive o privilegio de acompanhar pela televisão como ficou o pentágono depois de reformado. A parte que havia sido destruída não contava com muita tecnologia, e era um pouco antiga. Agora está uma beleza, é realmente lindo, e a tecnologia usada é espantosa. Mas o que interessa é que talvez um sujeito que estava desempregado tenha sido contratado para trabalhar na reconstrução das torres gêmeas, por exemplo. Isto é muito bom, já que nosso amigo vai ganhar um bom salário. Melhor do que isso é o que o que este sujeito vai fazer com este salário. Nosso amigo é um sujeito pão duro, mas mesmo assim vai gastar muito do seu dinheiro no super mercado, por exemplo, comprando comida. Isto é bom para o supermercado também, que talvez vá contratar mais alguém pra trabalhar nele, já que várias pessoas que trabalham na reconstrução provavelmente vão fazer isso. Isso também vai forçar a industria da agricultura a ampliar sua produção, e assim por diante, se alastrando por todos os mercados. E passado o susto, nosso amigo, e toda a população dos EUA está mais feliz, afinal o país tem um efeito econômico positivo que faz com que todos ganhem. Mas eles ainda têm medo, muito medo.

E a propósito, enquanto eu escrevia este texto me vinha uma questão à mente, aonde está o malvado Osama Bin Laden? Homem perigosíssimo que foi treinado pela CIA, e que afirmou para todo o mundo ser o responsável pelos ataques terroristas? Bem, começou-se uma guerra... em busca da paz! Nada mais racional do que isso! E a guerra só acabaria quando ele estivesse morto ou capturado, e cadê ele? A propósito, o que acontece com um país, quando se investe na produção de um produto, mas este produto não é usado e fica acumulado nos estoques? Realmente a resposta não é agradável, e é o que acontece com a industria bélica americana, que hoje em função do fim da guerra fria não pode mais continuar produzindo tanto. Mas é preciso lembrar que esta industria emprega muitas pessoas. Eles se defendem dizendo que apenas 4% do PIB é investido na industria bélica, mas isso representa praticamente todo PIB da Rússia. Trocando em miúdos, é fato que todos os exércitos do mundo juntos não conseguiriam equiparar-se com o dos EUA se formos falar em números. Então o maior de todos exércitos não pode estar parado. E não está! Está a procura do Bin Laden! Ou seria o Saddan? Já que a guerra do Iraque também terminaria com Saddam Hussein morto ou capturado. Mas uma guerra precisa ter motivo, e todas essas têm explicações louváveis, uma delas é combater o mal, os árabes! Responsáveis pelos ataques de 11 de setembro e por tudo de ruim que acontece nos EUA.

A População norte-americana se mostrou favorável à guerra, afinal eles estão com medo. Um estudo mostrou que a criminalidade diminuiu em 20%, mas a cobertura da imprensa nestes casos aumentou em 600%. A População está com medo.

Tudo estava uma maravilha antes de 11 de setembro, quando os árabes seqüestraram dois Boeings com tanque cheio (eles sabiam exatamente a hora, o vôo, o destino, e todas as informações necessárias para que desse certo o plano diabólico. Já que é necessário aviões grandes como o 757, com o tanque cheio, a aproximadamente 250 milhas por hora, na mesma hora, voando por perto.) e atiraram contra as torres gêmeas. Mais um avião foi atirado contra o pentágono, este muito duvidoso, e um caiu. Foi levantada a hipótese de que o ultimo que havia caído tinha como destino a casa branca. Realmente foram cenas dignas de Hollywood. Ou talvez nem o cinema teria pensado em algo desta magnitude, ao menos eu nunca havia visto algo tão incrível, mas as autoridades informaram que eram árabes, então não poderia ter sido o MacGaiver. Isto nos leva a duas conclusões: Ou os árabes são extremamente superiores, ou alguma coisa está muito estranha. Num país como o Brasil, em que acontece de tudo, seria quase impossível que isso acontecesse, mas aconteceu nos EUA! Realmente é muito estranho. Há vários boatos e várias historias sobre o ataque terrorista, mas eu preferir me ater somente aos dados oficiais.

Através deste texto coloco no papel algumas idéias minhas, apenas com o intuito de fazer as pessoas pensarem. As versões oficiais sobre as guerras em que os EUA se envolvem, e o ataque terrorista são sempre muito suspeitas. Como vocês puderam acompanhar, eles mesmos se contradizem. É bom pensarmos bastante a respeito de tudo isso, porque se hoje os EUA admitem ter atacado o Iraque apenas pelo petróleo talvez amanhã nos sejamos o próximo alvo, afinal enquanto o Iraque tem petróleo, nos temos água, um bem necessário para a vida.

Data do texto: 8/6/2003

 

WC: A história do Wanderley Cardoso.



Quem nunca viu WC escrito na porta de um sanitário? E quem nunca se perguntou o que significa aquilo? Esta segunda sei que poucos o fizeram. Eu sou um deles, e fiquei realmente curioso sobre a origem.

Estou a horas fazendo uma ardua pesquisa. Tentei deduzir o que seria esta sigla, partindo do inglês, mas não cheguei a conclusão nenhuma. Pensei ser as iniciais de alguem. Tive pouca sorte. Tentei encontrar uma origem etimologica, fazendo uma ligação entre a sigla e as palavras que significam banheiro em latim e grego. Está ultima é mentira. Pesquisando durante um bom tempo cheguei a conclusão que o "W." só poderia ser de "Water". Mas faltava o "C." que não se encaixava em nenhuma palavra que eu me recordasse em ingles. Continuei pesquisando, até que me dei conta que só poderia ser "Water Closet", mas não havia nada que eu tivesse encontrado que me dissesse que eu estava correto. Cheguei a essa conclusão quando vi em alguns anuncios imobiliarios em ingles que havia diferença entre bathroom(banheiro) e WC que deduzir ser o lavabo, o toalete, também chamado em ingles de Toilet. Já desistindo de encontrar um significado pensei em inventar algo para colocar aqui no blog. Conversando com o gordo no icq, ele entendeu errado o que eu escrevi, e chegamos a conclusão de "Washington Company of Bathrooms". Logo a abreviatura seria W.C. Company of Bathrooms, mas somente o WC teria pegado. A historia era legal, mas não gostei do Washington na história... coisa do Gordo... Pesquisando sobre a história e evolução do banheiro acabei descobrindo que estava correto.
Washing Closet, ou WC. Descobri também que o WC foi inventado em 1596 pelo ingles J.D. Harrington. Era apenas uma evolução do design utilizado ainda no mundo antigo. A unica diferença era que o WC possuia partes móveis. O invento ficava dentro de algumas raras casas, e demorou para ser popularizado. Talvez somente depois do séc. XVIII. Na década de 1850 o também ingles Thomas Crapper inventou o toalete no design que é conhecido até hoje. É o inventor do lavabo moderno. Nos EUA também chamado Crapper em sua referencia.
Terminei por me dar conta que a hipotese de que WC se referia a um possivel inventor estava errada. A sigla se referia a palavras simples e popularmentes usadas na lingua inglesa, que foi minha primeira hipotese.


Data do texto: 6/4/2004 (corrigido em 28/7/2009. Motivo: a hipotese inicial era "washing" e não "water")

 

Meu Perfil do Orkut: Versão completa.


-estou com fome (espera, acho que isso nao é uma caracteristica minha)
-Gosto de coisas misteriosas
-Coloco 4 colheres de açucar no café e 3 quando é 1/2 taça
-Estou ansioso pra começar as aulas do mestrado na unisinos (é pq dai eu pego café la)
-Gosto de pessoas inteligentes
-Gosto de uma boa conversa
-Como podem ver não sou egocentrico como o Tulio, praticamente nem usei a palavra "Eu" ainda ehhehehe
-Não uso frases com mesóclise antes do meio dia.
-Tenho pedaços do meu colégio no meu quarto como recordação (concreto, ferros de classes, etc)
-Minha casa não tem nome ao contrário do prédio que eu morava.
-Sou impulsivo, por isso to escrevendo tudo que me vem na cabeça sem pensar, assim penso que seja mais sincero.
-Tenho cérebro multifunções, sendo que uma se ocupa de ficar o dia inteiro pensando em coisas engraçadas.
-Coisas engraçadas, pois penso que o humor é uma ótima forma de crítica, já que ve o avesso das coisas.
-Ver o avesso exercita o cérebro!
-Digo o que precisa ser dito e não me preocupo muito com isso
-Tenho muito carinho pelos amigos verdadeiros e por eles faço tudo.
-Sou romântico, mas acho que isso envolve surpreender, portanto n saio mostrando esse meu lado tão fácil.
-Acho que a segunda maior invenção da modernidade foi a máquina de debulhar milho.
-Penso que a maior invenção da modernidade foi a máquina de debulhar milho elétrica.
-Penso que ainda estamos na modernidade, e tão logo não romperemos com os paradigmas da modernidade para poder entrar numa pós-modernidade ou seja la o nome que quiserem dar.
-Mas se chegarmos lá a grande invenção vai ser um celular que bate foto, tem lanterna, mp3 e um debulhador de milho digital.
-Não penso que violencia se combata com um Estado opressor.
-Acho que uma atitude positiva do Estado deve vir na hora de dar uma estrutura adequada ao cidadão, e não na hora de prende-lo.
-Me identifico ideologicamente com a esquerda.
-Já defendi o socialismo enquanto modo de produção, mas jamais defendi o modelo politico que veio com ele.
-Democracia acima de tudo
-Aprecio a arte.
-Mudo sempre, a cada dia.
-Eu hoje não sou o mesmo de ontem
-Já não sou o mesmo do começo do texto.
-Adoto uma posição crítica e questionadora quanto às referencias morais da sociedade.
-Sou contra tabús, dógmas, e qualquer tipo de puritanismo.
-Só encaro sexo com a naturalidade que lhe é inerente, isso jamais significa banalizá-lo.
-Eu escrevo várias frases e esqueço os pontos finais.
-Eu penso grande, e não penso só no meu umbigo.
-Tenho espirito revolucionário e estou sempre querendo mudar o mundo.
-Eu sempre tive facilidade pra muitas coisas, o que fez com que eu não fosse tão persistente em algumas coisas.
-Mas como sou de me atirar de cabeça, quando miro num objetivo vou contudo.
-Hoje em dia eu me puxo, to sempre tentando vencer a preguiça. (acho que isso é a maioridade que Kant falava)
-Gosto de escrever, e um dia quero ter vários livros publicados.
-Não acho indicado resolver as coisas aprioristicamente.
-Não tenho filhos, nem sou casado
-Mas um dia vou ter.
-A guria quero que tenha o nome de Sofia, pelo significado deste nome.
-O guri vai ter uma enorme vantagem no tocante à filas, estará sempre na frente, pois o nome dele será Próximo. E seu segundo nome será Seguinte.
-O resto não vou programar, afinal um homem age de acordo com suas circunstancias, e esta é uma grande lição que aprendi. Poderiamos colocá-la na máxima "Age de acordo com tuas circunstancias, mas persegue teus ideais, sem jamais perde-los de teu horizonte."

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